Num filme que mostra a rejeição e luta contra um regime autoritário que suprimia as liberdades individuais dos homens e mulheres que habitavam este pequenino Portugal, que viviam no limiar de miséria, que viam os seus filhos morrer pelo uníssono do império africano que Portugal ostentava, chamou-me a atenção uma frase, uma constatação no meio de gritos de liberdade e opinião: “Homens pr’á cozinha!”. O tema principal era o 25 de Abril e a minha pergunta é: Os direitos da mulher, o que mudou até agora?
Não é por certo um tema que traz ao mundo a emoção ou indignação que traz uma guerra sangrenta, ou a contestação que traz a pena de morte ou então a revolta que traz a pedofilia.
Quando se comemora o 25 de Abril e a Liberdade aí conquistada, não se falará automaticamente nos direitos da mulher! Mas o que é certo é que foram conseguidos, ou será mais adequado dizer, que abriu-se o caminho para os conseguir, mas que, a esse respeito, pouco mudou até agora?
Sou mulher, sou um ser humano. Escrevo porque acredito que ainda é na escrita que se pode encontrar a contestação para muitos dos problemas da sociedade. Por isso escrevo sobre os direitos que muitas vezes por ser mulher me são negados. A mim talvez ainda não, porque sou nova e ainda poucas provações passei num mundo que se diz desenvolvido, mas que em muitos aspectos não o é. Não será propriamente normal que em países que clamam estar a crescer e a tornar-se grandes potências mundiais, se prefiram filhos rapazes, e onde bebés e crianças do sexo feminino lutam pela sobrevivência. Não será normal, em países desenvolvidos procurarem-se raparigas, meninas autênticas que na idade mostram apenas a inocência de não saber o mal que existe no mundo, para serem abusadas e exploradas.
Desde sempre a mulher foi considerada o sexo fraco, o ser submisso ao homem e que de direitos tinha apenas o de ficar calada, de ficar na ignorância, fechada na cozinha e a tratar dos filhos. Durante muito tempo vinham a público as frases “sábias” daqueles que diziam que as mulheres eram fracas e sensíveis, e que por isso tinham de ficar à guarda dos homens fortes e poderosos, que têm no espírito na mente, a capacidade só deles de poder governar o mundo, que era deles.
Hoje em dia essa mentalidade mudou. Existem mulheres a trabalhar, apresentam uma formação cada vez maior, existindo já mais mulheres do que homens e frequentar o ensino superior. Casos há até de casais que partilham as tarefas domésticas, não sendo do domínio específico de nenhuma das partes, a cozinha, as limpezas e arrumações. Mas se continuarmos, verificamos que em muitos casos, a mulher continua a ser menosprezada e tida como um ser inferior. Verifiquemos então os números do desemprego. Quantos não são os empregadores que arranjam mil desculpas para não contratar mulheres e quantas das que trabalham não são despedidas por estarem grávidas? Se formos contar o número de dias para a licença de parto até daria vontade de rir se o assunto não fosse tão sério, e no final de contas, em muitos dos casos, obrigue as mulheres a escolherem entre uma vida profissional de sucesso e a maternidade.
Olhamos em redor e perguntamos: onde estão as mulheres na política? O nosso governo tem 4 ministras, e é um dos executivos que mais mulheres apresenta! E a polícia? Quantas são as empresas que têm na gerência mulheres?
É certo que já não se vive numa época em que até sair à rua era algo negado à mulher, mas também é certo que não podemos reclamar uma igualdade clara e imaculada entre os sexos, simplesmente porque essa concepção ainda não existe. Não apenas em países onde as mulheres são obrigadas a andar de rosto tapado, onde são apedrejadas em praça publica, pelo simples facto de abraçarem um irmão. Países onde a mulher é escravizada e espezinhada no seu orgulho e dignidade. A discriminação existe em todo o lado, desde as piadas de mau gosto, às concepções erradas de fraqueza, até à formatação de uma sociedade em que à mulher é-lhe apenas concedida a beleza, sem ter em conta a inteligência e o sucesso profissional, conceitos exclusivamente atribuídos ao homem.
Quando no filme “Capitães de Abril”, vi mulheres portadoras de uma felicidade contagiante, manifestarem-se por uma igualdade de direitos, pensei se seria mesmo este o futuro, onde mulheres por mais direitos que tenham conseguido, são obrigadas a pensar “é melhor que nada” enquanto os homens têm tudo, que imaginavam e pelo qual gritavam.
Dissertação realizada para a disciplina de Português no 12º ano
miga tou la sempre aos fechos :p
ResponderEliminarbeijo